
“UMA CASA DE CANDOMBLÉ ”!
“Para existir um “Ilê” (casa) de candomblé, é necessário um Babalorixá ou Yalorixá, competente, iniciado dentro dos costumes, seguido rigidamente ao longo dos seus anos de iniciação, suas normas e preceitos, pois, somente assim terá o aval, o consentimento, o “axé” (força) necessário para desenvolvimento das suas atribuições, atributos esses passados por seu zelador (ou Babalorixá).
No nosso plano material e seu conseqüente desempenho com resultados positivos junto à sua comunidade, que só serão obtidos com a “essência dos orixás” que os monitoram de forma permanente, permitindo ou até mesmo interrompendo uma situação de resultados realmente significativos, quer seja na sua leitura esotérica ou no trato com o povo.
Como ninguém planta de manhã para colher à tarde, um Ilê com axé, é estruturado com: estudo, aprendizado, dedicação, humildade, respeito e principalmente, conduta ritual, à medida que vai o ilê "merecendo", os orixás vão lhe "dando" ao ponto de se obter uma estrutura suficiente, para o início das atividades de um novo Ilê.
Em alguns casos, até mesmo por falta de um controle e fiscalização, por parte de uma CONFEDERAÇÃO legitimada, decorrente da não organização dos adeptos, muitos por conveniência, tem casas que são verdadeiros comércios (não pelo fato de cobrarem algum benefício financeiro para sua manutenção e sustento), mas, pelo exagero dos valores pedidos, se aproveitando do medo e da inocência de algumas pessoas.
Outras instituem uma total libertinagem por conveniência de seus comandantes e comandados. Outras pela sua ignorância ou má iniciação, em vez de ajudarem as pessoas acabam causando um mal maior, e, infelizmente somos abrigados a conviver com essas situações que denigrem como um todo a nação candomblecista.
Mas como Oxalá é sublime essas barreiras de alguma forma são superadas, não colocando em risco a religião Yorubá, e tão somente fornecendo subsídios a algumas alas de algumas Igrejas Fundamentalistas Néo-Pentecostais, que se aproveitam desses casos de exceções para se enaltecerem e nos escachar, denegrir ainda mais a imagem da religião afro-brasileira e seus membros, tão somente com objetivos de "angariar" mais fiéis, visando uma melhoria de arrecadação financeira para seus cofres, mas como Deus é único, de alguma forma nos protege e seguimos adiante.
As pessoas que freqüentam uma casa de candomblé, basicamente são: praticantes, simpatizantes, interessados sobre a cultura afro-brasileira.
A procura por esta religião tanto para prática como consulta, muito é em virtude de um “atendimento pessoal e individualizado”, em que as pessoas têm uma participação ativa, naquele instante a pessoa não é uma a mais numa multidão, mas o centro das atenções, de uma forma que possa canalizar toda sua fé, para obtenção do seu objetivo, e frise-se, a fé é fundamental e necessária para qualquer intento, onde cada um deve fazer o melhor possível a sua parte, no caso de quem está sofrendo a ação, comparecer fisicamente com o material no dia e hora marcado, quando solicitado ou orientado para tal e fazê-lo com muita fé e dedicação.”
“A HIERARQUIA”
Observância de uma hierarquia rígida é o instrumento que mantém permanentes as instituições, como o Estado, o Exército, a religião..., sua tradução literal expressa: ordem e subordinação dos poderes eclesiásticos, civis e militares; graduação de autoridade, correspondente às várias categorias. Em princípio é o tempo de iniciação religiosa que conta, vale o ditado - antiguidade é posto - seguido do “Oyê” (cargo) que a pessoa ocupa; os mais velhos são sempre os mais velhos, não importa se um jovem ocupe um cargo de religioso de maior importância; exceção única, feita ao Babalorixá ou Yalorixá que por poder “absoluto” está acima de todos e qualquer outro cargo.
De casa para casa ou de nação para nação, variam os cargos e seus nomes e um ou outro detalhe da escala hierárquica, via de regra são:
• Abians - por exprimir uma vontade de participar, ou escolhido a fazer parte da comunidade, recebe do Babalorixá, um fio de contas "lavado" (colar ritual, símbolo do orixá do neófito), ou tenha se submetido a um “ebori” (ebó: "comida" ao ori “cabeça” física e astral = ebori, que popularmente com o tempo veio a ser chamado de “bori”); participam no Ilê, ajudando com tarefas civis, nas festas, na limpeza e arrumação e decoração do barracão, preparo de café e almoço, alguma ajuda na cozinha ritual, onde são preparadas as oferendas dos orixás e demais tarefas afins.
• Yawô - o iniciado, noviço, também chamado de “adoxú” (aquele que levou adoxum ), neste período não lhes são revelados segredos, ficará recluso alguns dias que variam de 7 a 21, conforme sua nação e com os pedidos do Orixá através do jogo de búzios, num lugar chamado “roncó” ou camarinha (local sagrado onde se guardam os “ibás” - assentamentos e objetos sagrados dos Orixás onde o noviço deita em esteiras. É confiado aos cuidados do seu “ojúbonã” (pai-criador) que o auxiliará e ensinará alguns comportamentos durante todo período da iniciação, o qual juntamente com o iniciado, manterá resguardo neste período. Em um primeiro momento é feita a raspagem do cabelo, símbolo de submissão e humildade e preparo do “oxú” (o alto da cabeça, a moleira astral, chácra principal do corpo humano) para as obrigações principais. Neste período o iniciado tem como objetivo principal receber axé, a qual será responsável, pelo seu aumento e manutenção, através da rígida observância, da sua conduta ritual. Completados sete anos de iniciação, o yawô , após fazer sua "obrigação" ritualística que os 7 anos requer, torna-se “ègbômí” (irmão mais velho) e tem direito a ter seu próprio Ilê com a benção e autorização do seu Babalorixá e se isso for o que o seu próprio Orixá o quizer, bem como poderá fazer parte do grupo dos “Oloiês”
• Oloiês (pessoas que têm cargos adoxadas ou não adoxadas) são:
• BABÁKEKERÊ (pai pequeno),
• YÁMORÔ, (mãe dos orôs – segredos do axé)
• OGÃS, que quer dizer - chefe - podendo em alguns casos, ter seus otuns e osis ; os postos de AXOGUN, ALABÊ, OGOTUN, AFICODÉ, IPERILODÉ, ELEMOXÓ, ILÊIGBÓ, PEJIGAN em paralelo a YAEGBÉ, YAKEKERÉ (mãe pequena),
• AJOIÊ ou EKÉDE: aquela q toma conta das roupas do Babalorixá e de seus Orixás e cuida do Orixá na sala quando em terra, também chamada de DAGÃ, SIDAGÃ, em casa de Xangô, o cargo da KOLABÁ, a IYÁ SIHA - relacionado a um ato litúrgico de Oxalá.
• YÁEFÚN (BABÁEFÚN): mãe ou pai dos pós sagrados.
• YÁLOSSÃIN (BABÁLOSSÃIN): mãe ou pai das folhas sagradas.
• YÁBASSÊ somente mulheres as quais cozinham as comidas dos rituais sagrados, bem como as comidas a serem servidas nas festas.
• 12 MINISTROS DE XANGÔ: Ministros de Xangô, mais especificamente no “ILÊ AXÉ OPÔ AFONJÁ” tem os, seis da direita (otuns), com voz e voto; seis da esquerda (osis) somente com voz. - Agbá - duas condições a um só tempo:
• 1) Antiguidade iniciática (mais de 50 anos); b) antiguidade cronológica (mais de 60 anos). - Yálorixá - (Yálaxé / Babalorixá. Uma fila hierárquica, a exemplo da que acontece nas "Águas de Oxalá" assim e procede: Yálorixá (babá), seguindo os demais Adoxú, quer sejam oloiês ou não, de acordo com o tempo de iniciação, sempre o mais velho na frente do mais jovem, sendo a segunda da fila a(o) Yáegbé: mais velho(a) adoxú do axé e segue a fila de acordo com o tempo de iniciação, atrás do último adoxú, alternando-se ogans e ajoiés, de acordo com o tempo de confirmação, atrás virão ao abians. O mais velho é tudo; sempre se é yawô para o imediato "mais velho", no próprio "barco" (mais de um iniciado recolhido ao roncó para iniciação) de yawôs encontramos a figura do mais velho, chamado “dofôno” , e sucessivamente “dofonitinho”, “fômo”, “fomotinho”, “gamo” e “gamotinho”. O dofono é aquele a quem se pede a benção em primeiro lugar, devendo, este contudo, ser o primeiro a servir seus demais irmãos mais jovens. É muito importante o mais velho se colocar no difícil papel; é o responsável - sem que muitas vezes saiba - pelo futuro do seu mais novo, seus anseios, esperanças, fantasias.
“A QUIZILA E AS PROIBIÇÕES”
A quizila é uma forma de reação negativa que atinge as pessoas, quer seja fisicamente, causando algum mal estar ou na vida pessoal gerando algum "atrapalho" ou perda; e acontece quando comemos ou fazemos algo que não devemos; todos os orixás tem suas quizilas, e como filhos devemos respeitá-las, por exemplo: não devemos comer determinadas comidas, que são oferecidas aos orixás, pelo fato que, quando oferecemos à eles esta comida, eles "transformam" as energias daquela comida, em energia positiva para nós, das quais estamos precisando constantemente, portanto é comida do orixá, não nossa. A quizila, em alguns casos, é como se fosse uma "alergia" natural, que comemos alguma coisa, e imediatamente temos uma reação alérgica, porém a mais perigosa é aquela que não sentimos de imediato alguma reação, o que erradamente leva alguns filhos de santo usarem um sistema:
“Ah! Eu comi, não fez mal, não terá problema!”
Aí é que se enganam, pois, a reação virá quando menos esperam, atingindo de alguma outra forma. Os iniciados sabem o que devem respeitar, se não o fazem é por serem descompromissados ou relapsos. Evidente que há casos de desconhecimento, por uma má iniciação, e muito mais valor terá, se gostarmos daquilo que não podemos, pois é muito fácil se evitar, o que não gostamos. As proibições mais comuns, são com relação a determinadas comidas, temperos, folhas, bebidas, cores...
“O AXÉ”
Força = “Energia mágica, universal sagrada do orixá. Energia muito forte, mas que por si só é neutra. Manipulada e dirigida pelo homem através dos orixás e seus elementos símbolos."
O elemento mais precioso do Ilê é a força que assegura a existência dinâmica. É transmitido, deve ser mantido e desenvolvido, como toda força pode aumentar ou diminuir, essa variação está relacionada com a atividade e conduta ritual.
A conduta está determinada pela rigorosa observação dos deveres e obrigações, de cada detentor de axé, para consigo, para com seu orixá e para com seu ilê. O desenvolvimento do axé individual e do grupo impulsionam o axé do ilê = ilê axé (força da casa).
"O axé dos iniciados está ligado ao relacionamento com seu orixá; sua comunidade; suas obrigações e seu babalorixá e diretamente proporcional a sua conduta ritual.”
A força do axé é contida e transmitida através de certos elementos e substâncias materiais é transmitido aos seres e objetos, que mantém e renovam os poderes de realização.
O axé está contido numa grande variedade de elementos representativos dos reinos: animal, vegetal e mineral, quer sejam da água - doce ou salgada - da terra, floresta - mato ou espaço urbano. Está contido nas substâncias naturais e essenciais de cada um dos seres animados ou não, simples ou complexos, que compõem o universo. Os elementos portadores de axé podem ser agrupados em três categorias:
1) SANGUE VERMELHO:
a) Do reino animal: o sangue.
b) Do reino vegetal: o epô (óleo de dendê), osùn (pó vermelho), aiyn (mel - sangue das flores), favas (sementes), vegetais, legumes, grãos, frutos (obi, orobô), raízes...
c) Do reino mineral: cobre, bronze, otás (pedras), areia, barro, terra...
2) SANGUE BRANCO:
a) Do reino animal: sêmem, saliva, emí (hálito, sopro divino), plasma (em especial do igbin - espécie de caracol -), inan (velas).
b) Do reino vegetal: favas (sementes), seiva, sumo, alcool, bebidas brancas extraídas das palmeiras, yorosùn (pó claro, extraído do iròsún) ori (espécie de manteiga vegetal), vegetal, legumes, grãos, frutos, raízes...
c) Do reino mineral: sais, giz, prata, chumbo, otás (pedras), areia, barro, terra...
3) SANGUE PRETO:
a) Do reino animal: cinzas de animais.
b) Do reino vegetal: sumo escuro de certas plantas, o ilú (extraído do índigo) waji (pó azul), carvão vegetal, favas (sementes), vegetais, legumes, grãos, frutos, raízes...
c) Do reino mineral: carvão, ferro, osun, otás (pedras), areia, barro, terra...
Existem lugares, sons, objetos e partes do corpo (dos animais em especial) impregnados de axé; o coração, fígado, pulmões, moela, rim, pés, mãos, rabo, ossos, dente, marfim, órgãos genitais; as raízes, folhas, água de rio, mar, chuva, lago, poço, cachoeira, orô (reza), adjá (espécie de sineta), côros (atabaques)...
Toda oferenda e ato ritualístico implicam na transmissão e revitalização do axé. Para que seja verdadeiramente ativo, deve provir da combinação daqueles elementos que permitam uma realização determinada. Receber axé significa incorporar os elementos simbólicos que representam os princípios vitais e essenciais de tudo o que existe. Trata-se de incorporar o “ayé” (terra) e o “órún” (céu), o nosso mundo e o além, no sentido de outro plano.
O axé de um ilê é um poder de realização transmitido através de uma combinação que contém representações materiais e simbólicas do "branco", "vermelho" e "preto", do ayé e o órún.
O axé é uma energia que se recebe, compartilha e distribui, através da prática do ritual. É durante a iniciação que o axé do ilê e dos orixás é "plantado" e transmitido aos iniciados.
A Yálorixá ou Babalorixá é ao mesmo tempo Yálaxé ou Babalaxé, zeladora ou zelador dos ibás (assentamentos - representação material dos orixás na terra, local específico para receberem suas oferendas, local que se entra em comunhão com os orixás), responsáveis por tudo relacionado aos orixás, zelar pela preservação do axé que manterá viva e ativa a vida do ilê.”
Axé!
Babá André T'Ogum
“Para existir um “Ilê” (casa) de candomblé, é necessário um Babalorixá ou Yalorixá, competente, iniciado dentro dos costumes, seguido rigidamente ao longo dos seus anos de iniciação, suas normas e preceitos, pois, somente assim terá o aval, o consentimento, o “axé” (força) necessário para desenvolvimento das suas atribuições, atributos esses passados por seu zelador (ou Babalorixá).
No nosso plano material e seu conseqüente desempenho com resultados positivos junto à sua comunidade, que só serão obtidos com a “essência dos orixás” que os monitoram de forma permanente, permitindo ou até mesmo interrompendo uma situação de resultados realmente significativos, quer seja na sua leitura esotérica ou no trato com o povo.
Como ninguém planta de manhã para colher à tarde, um Ilê com axé, é estruturado com: estudo, aprendizado, dedicação, humildade, respeito e principalmente, conduta ritual, à medida que vai o ilê "merecendo", os orixás vão lhe "dando" ao ponto de se obter uma estrutura suficiente, para o início das atividades de um novo Ilê.
Em alguns casos, até mesmo por falta de um controle e fiscalização, por parte de uma CONFEDERAÇÃO legitimada, decorrente da não organização dos adeptos, muitos por conveniência, tem casas que são verdadeiros comércios (não pelo fato de cobrarem algum benefício financeiro para sua manutenção e sustento), mas, pelo exagero dos valores pedidos, se aproveitando do medo e da inocência de algumas pessoas.
Outras instituem uma total libertinagem por conveniência de seus comandantes e comandados. Outras pela sua ignorância ou má iniciação, em vez de ajudarem as pessoas acabam causando um mal maior, e, infelizmente somos abrigados a conviver com essas situações que denigrem como um todo a nação candomblecista.
Mas como Oxalá é sublime essas barreiras de alguma forma são superadas, não colocando em risco a religião Yorubá, e tão somente fornecendo subsídios a algumas alas de algumas Igrejas Fundamentalistas Néo-Pentecostais, que se aproveitam desses casos de exceções para se enaltecerem e nos escachar, denegrir ainda mais a imagem da religião afro-brasileira e seus membros, tão somente com objetivos de "angariar" mais fiéis, visando uma melhoria de arrecadação financeira para seus cofres, mas como Deus é único, de alguma forma nos protege e seguimos adiante.
As pessoas que freqüentam uma casa de candomblé, basicamente são: praticantes, simpatizantes, interessados sobre a cultura afro-brasileira.
A procura por esta religião tanto para prática como consulta, muito é em virtude de um “atendimento pessoal e individualizado”, em que as pessoas têm uma participação ativa, naquele instante a pessoa não é uma a mais numa multidão, mas o centro das atenções, de uma forma que possa canalizar toda sua fé, para obtenção do seu objetivo, e frise-se, a fé é fundamental e necessária para qualquer intento, onde cada um deve fazer o melhor possível a sua parte, no caso de quem está sofrendo a ação, comparecer fisicamente com o material no dia e hora marcado, quando solicitado ou orientado para tal e fazê-lo com muita fé e dedicação.”
“A HIERARQUIA”
Observância de uma hierarquia rígida é o instrumento que mantém permanentes as instituições, como o Estado, o Exército, a religião..., sua tradução literal expressa: ordem e subordinação dos poderes eclesiásticos, civis e militares; graduação de autoridade, correspondente às várias categorias. Em princípio é o tempo de iniciação religiosa que conta, vale o ditado - antiguidade é posto - seguido do “Oyê” (cargo) que a pessoa ocupa; os mais velhos são sempre os mais velhos, não importa se um jovem ocupe um cargo de religioso de maior importância; exceção única, feita ao Babalorixá ou Yalorixá que por poder “absoluto” está acima de todos e qualquer outro cargo.
De casa para casa ou de nação para nação, variam os cargos e seus nomes e um ou outro detalhe da escala hierárquica, via de regra são:
• Abians - por exprimir uma vontade de participar, ou escolhido a fazer parte da comunidade, recebe do Babalorixá, um fio de contas "lavado" (colar ritual, símbolo do orixá do neófito), ou tenha se submetido a um “ebori” (ebó: "comida" ao ori “cabeça” física e astral = ebori, que popularmente com o tempo veio a ser chamado de “bori”); participam no Ilê, ajudando com tarefas civis, nas festas, na limpeza e arrumação e decoração do barracão, preparo de café e almoço, alguma ajuda na cozinha ritual, onde são preparadas as oferendas dos orixás e demais tarefas afins.
• Yawô - o iniciado, noviço, também chamado de “adoxú” (aquele que levou adoxum ), neste período não lhes são revelados segredos, ficará recluso alguns dias que variam de 7 a 21, conforme sua nação e com os pedidos do Orixá através do jogo de búzios, num lugar chamado “roncó” ou camarinha (local sagrado onde se guardam os “ibás” - assentamentos e objetos sagrados dos Orixás onde o noviço deita em esteiras. É confiado aos cuidados do seu “ojúbonã” (pai-criador) que o auxiliará e ensinará alguns comportamentos durante todo período da iniciação, o qual juntamente com o iniciado, manterá resguardo neste período. Em um primeiro momento é feita a raspagem do cabelo, símbolo de submissão e humildade e preparo do “oxú” (o alto da cabeça, a moleira astral, chácra principal do corpo humano) para as obrigações principais. Neste período o iniciado tem como objetivo principal receber axé, a qual será responsável, pelo seu aumento e manutenção, através da rígida observância, da sua conduta ritual. Completados sete anos de iniciação, o yawô , após fazer sua "obrigação" ritualística que os 7 anos requer, torna-se “ègbômí” (irmão mais velho) e tem direito a ter seu próprio Ilê com a benção e autorização do seu Babalorixá e se isso for o que o seu próprio Orixá o quizer, bem como poderá fazer parte do grupo dos “Oloiês”
• Oloiês (pessoas que têm cargos adoxadas ou não adoxadas) são:
• BABÁKEKERÊ (pai pequeno),
• YÁMORÔ, (mãe dos orôs – segredos do axé)
• OGÃS, que quer dizer - chefe - podendo em alguns casos, ter seus otuns e osis ; os postos de AXOGUN, ALABÊ, OGOTUN, AFICODÉ, IPERILODÉ, ELEMOXÓ, ILÊIGBÓ, PEJIGAN em paralelo a YAEGBÉ, YAKEKERÉ (mãe pequena),
• AJOIÊ ou EKÉDE: aquela q toma conta das roupas do Babalorixá e de seus Orixás e cuida do Orixá na sala quando em terra, também chamada de DAGÃ, SIDAGÃ, em casa de Xangô, o cargo da KOLABÁ, a IYÁ SIHA - relacionado a um ato litúrgico de Oxalá.
• YÁEFÚN (BABÁEFÚN): mãe ou pai dos pós sagrados.
• YÁLOSSÃIN (BABÁLOSSÃIN): mãe ou pai das folhas sagradas.
• YÁBASSÊ somente mulheres as quais cozinham as comidas dos rituais sagrados, bem como as comidas a serem servidas nas festas.
• 12 MINISTROS DE XANGÔ: Ministros de Xangô, mais especificamente no “ILÊ AXÉ OPÔ AFONJÁ” tem os, seis da direita (otuns), com voz e voto; seis da esquerda (osis) somente com voz. - Agbá - duas condições a um só tempo:
• 1) Antiguidade iniciática (mais de 50 anos); b) antiguidade cronológica (mais de 60 anos). - Yálorixá - (Yálaxé / Babalorixá. Uma fila hierárquica, a exemplo da que acontece nas "Águas de Oxalá" assim e procede: Yálorixá (babá), seguindo os demais Adoxú, quer sejam oloiês ou não, de acordo com o tempo de iniciação, sempre o mais velho na frente do mais jovem, sendo a segunda da fila a(o) Yáegbé: mais velho(a) adoxú do axé e segue a fila de acordo com o tempo de iniciação, atrás do último adoxú, alternando-se ogans e ajoiés, de acordo com o tempo de confirmação, atrás virão ao abians. O mais velho é tudo; sempre se é yawô para o imediato "mais velho", no próprio "barco" (mais de um iniciado recolhido ao roncó para iniciação) de yawôs encontramos a figura do mais velho, chamado “dofôno” , e sucessivamente “dofonitinho”, “fômo”, “fomotinho”, “gamo” e “gamotinho”. O dofono é aquele a quem se pede a benção em primeiro lugar, devendo, este contudo, ser o primeiro a servir seus demais irmãos mais jovens. É muito importante o mais velho se colocar no difícil papel; é o responsável - sem que muitas vezes saiba - pelo futuro do seu mais novo, seus anseios, esperanças, fantasias.
“A QUIZILA E AS PROIBIÇÕES”
A quizila é uma forma de reação negativa que atinge as pessoas, quer seja fisicamente, causando algum mal estar ou na vida pessoal gerando algum "atrapalho" ou perda; e acontece quando comemos ou fazemos algo que não devemos; todos os orixás tem suas quizilas, e como filhos devemos respeitá-las, por exemplo: não devemos comer determinadas comidas, que são oferecidas aos orixás, pelo fato que, quando oferecemos à eles esta comida, eles "transformam" as energias daquela comida, em energia positiva para nós, das quais estamos precisando constantemente, portanto é comida do orixá, não nossa. A quizila, em alguns casos, é como se fosse uma "alergia" natural, que comemos alguma coisa, e imediatamente temos uma reação alérgica, porém a mais perigosa é aquela que não sentimos de imediato alguma reação, o que erradamente leva alguns filhos de santo usarem um sistema:
“Ah! Eu comi, não fez mal, não terá problema!”
Aí é que se enganam, pois, a reação virá quando menos esperam, atingindo de alguma outra forma. Os iniciados sabem o que devem respeitar, se não o fazem é por serem descompromissados ou relapsos. Evidente que há casos de desconhecimento, por uma má iniciação, e muito mais valor terá, se gostarmos daquilo que não podemos, pois é muito fácil se evitar, o que não gostamos. As proibições mais comuns, são com relação a determinadas comidas, temperos, folhas, bebidas, cores...
“O AXÉ”
Força = “Energia mágica, universal sagrada do orixá. Energia muito forte, mas que por si só é neutra. Manipulada e dirigida pelo homem através dos orixás e seus elementos símbolos."
O elemento mais precioso do Ilê é a força que assegura a existência dinâmica. É transmitido, deve ser mantido e desenvolvido, como toda força pode aumentar ou diminuir, essa variação está relacionada com a atividade e conduta ritual.
A conduta está determinada pela rigorosa observação dos deveres e obrigações, de cada detentor de axé, para consigo, para com seu orixá e para com seu ilê. O desenvolvimento do axé individual e do grupo impulsionam o axé do ilê = ilê axé (força da casa).
"O axé dos iniciados está ligado ao relacionamento com seu orixá; sua comunidade; suas obrigações e seu babalorixá e diretamente proporcional a sua conduta ritual.”
A força do axé é contida e transmitida através de certos elementos e substâncias materiais é transmitido aos seres e objetos, que mantém e renovam os poderes de realização.
O axé está contido numa grande variedade de elementos representativos dos reinos: animal, vegetal e mineral, quer sejam da água - doce ou salgada - da terra, floresta - mato ou espaço urbano. Está contido nas substâncias naturais e essenciais de cada um dos seres animados ou não, simples ou complexos, que compõem o universo. Os elementos portadores de axé podem ser agrupados em três categorias:
1) SANGUE VERMELHO:
a) Do reino animal: o sangue.
b) Do reino vegetal: o epô (óleo de dendê), osùn (pó vermelho), aiyn (mel - sangue das flores), favas (sementes), vegetais, legumes, grãos, frutos (obi, orobô), raízes...
c) Do reino mineral: cobre, bronze, otás (pedras), areia, barro, terra...
2) SANGUE BRANCO:
a) Do reino animal: sêmem, saliva, emí (hálito, sopro divino), plasma (em especial do igbin - espécie de caracol -), inan (velas).
b) Do reino vegetal: favas (sementes), seiva, sumo, alcool, bebidas brancas extraídas das palmeiras, yorosùn (pó claro, extraído do iròsún) ori (espécie de manteiga vegetal), vegetal, legumes, grãos, frutos, raízes...
c) Do reino mineral: sais, giz, prata, chumbo, otás (pedras), areia, barro, terra...
3) SANGUE PRETO:
a) Do reino animal: cinzas de animais.
b) Do reino vegetal: sumo escuro de certas plantas, o ilú (extraído do índigo) waji (pó azul), carvão vegetal, favas (sementes), vegetais, legumes, grãos, frutos, raízes...
c) Do reino mineral: carvão, ferro, osun, otás (pedras), areia, barro, terra...
Existem lugares, sons, objetos e partes do corpo (dos animais em especial) impregnados de axé; o coração, fígado, pulmões, moela, rim, pés, mãos, rabo, ossos, dente, marfim, órgãos genitais; as raízes, folhas, água de rio, mar, chuva, lago, poço, cachoeira, orô (reza), adjá (espécie de sineta), côros (atabaques)...
Toda oferenda e ato ritualístico implicam na transmissão e revitalização do axé. Para que seja verdadeiramente ativo, deve provir da combinação daqueles elementos que permitam uma realização determinada. Receber axé significa incorporar os elementos simbólicos que representam os princípios vitais e essenciais de tudo o que existe. Trata-se de incorporar o “ayé” (terra) e o “órún” (céu), o nosso mundo e o além, no sentido de outro plano.
O axé de um ilê é um poder de realização transmitido através de uma combinação que contém representações materiais e simbólicas do "branco", "vermelho" e "preto", do ayé e o órún.
O axé é uma energia que se recebe, compartilha e distribui, através da prática do ritual. É durante a iniciação que o axé do ilê e dos orixás é "plantado" e transmitido aos iniciados.
A Yálorixá ou Babalorixá é ao mesmo tempo Yálaxé ou Babalaxé, zeladora ou zelador dos ibás (assentamentos - representação material dos orixás na terra, local específico para receberem suas oferendas, local que se entra em comunhão com os orixás), responsáveis por tudo relacionado aos orixás, zelar pela preservação do axé que manterá viva e ativa a vida do ilê.”
Axé!
Babá André T'Ogum